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Boldrini inaugura Centro de Pesquisa construído com verbas do caso Shell/Basf

Campinas - No último dia 27 de novembro, Dia Nacional do Combate ao Câncer, o Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico referência em tratamento de doenças onco-hematológicas pediátricas, inaugurou em Campinas (SP) o Centro de Pesquisa Boldrini, maior centro de pesquisa latino-americano com foco em câncer pediátrico, com a presença do procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury. A verba para viabilizar a construção e equipagem do complexo advém da indenização por danos morais coletivos do notório caso Shell/Basf.

O projeto do Centro de Pesquisa Boldrini, orçado em R$ 48,3 milhões, terá como objetivo produzir e disseminar conhecimentos nas áreas de biologia molecular do câncer pediátrico, além de novas metodologias e reagentes para o diagnóstico e tratamento dos pacientes. Para isso, pesquisadores de renomados centros acadêmicos, como a Universidade de Campinas (UNICAMP), realizarão estudos epidemiológicos para investigar o impacto do meio ambiente na incidência do câncer da criança e do adolescente.

“Além de ampliar e modernizar a infraestrutura laboratorial que já existe no hospital, o Centro de Pesquisa terá por finalidade propiciar um espaço de intercâmbio e cooperação cientifica na área, com capacidade de compartilhamento entre diversas instituições de pesquisa nacionais e internacionais e abrangência ainda inexistente no Brasil”, explica Silvia Brandalise, presidente da instituição.

O Centro de Pesquisa Boldrini conta com cerca de 5 mil m² de área construída, que abrigarão laboratórios com tecnologia de ponta, para aumentar a produção e disseminação de conhecimentos nas áreas de epidemiologia e da biologia molecular e celular do câncer pediátrico. “A ideia é criar um ambiente de trabalho capaz de absorver conhecimentos científicos, em contínuo diálogo com a equipe médica, de modo a estimular ambos os lados a perceberem e criarem novas abordagens diagnósticas e de tratamento dos pacientes”, afirma o médico e pesquisador do Boldrini José Andrés Yunes.

O que o Centro tem a oferecer – O Centro de Pesquisas Boldrini fará testes de novos medicamentos introduzidos no mercado quanto à segurança e eficácia, de forma independente e imparcial, além de desenvolver estudos pré-clínicos de novas drogas contra o câncer. O benefício indireto à sociedade seria a possibilidade de resgatar as drogas de interesse oncológico que sejam promissoras, mas que dificilmente seriam eleitas para desenvolvimento ulterior por questões mercadológicas.

Além disso, a infraestrutura contará com uma equipe especializada em biologia molecular, em especial o sequenciamento de última geração e no rastreamento de Doença Residual Mínima (DRM) na leucemia linfoide aguda pediátrica, possibilitando o diagnóstico molecular do câncer.

Na área de capacitação e pesquisa, o Centro se torna um espaço acadêmico para formação em pesquisa e para realização de eventos científicos. As instalações também abarcam o bioterismo de alto padrão, capaz de manter camundongos imunodeficientes ou variantes com outros perfis genéticos bem definidos, que permitem serem utilizados como modelos de doenças genéticas ou modelos experimentais de câncer.

Destinação – Os recursos que possibilitaram a construção do complexo e a aquisição de todo o equipamento de pesquisa foram destinados por uma comissão de procuradores do Ministério Público do Trabalho, incumbida de selecionar projetos de interesse social para repasse da indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 200 milhões, proveniente do maior acordo da história da justiça do trabalho, envolvendo as empresas Shell e Basf.

“As famílias das vítimas do crime cometido na cidade de Paulínia podem ter a certeza que o judiciário e o Ministério Público do Trabalho não permitiram que houvesse impunidade. As empresas foram punidas. E quem será beneficiada será a comunidade, que terá uma instituição referência na área de pesquisa contra o câncer. As mortes não foram em vão, pois elas estão se transformando em vidas que serão salvas com as pesquisas que serão realizadas”, aponta o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, referindo-se às mais de 60 mortes que decorreram da exposição de trabalhadores a agentes cancerígenos.

Em 2013, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) homologou o maior acordo da história da justiça do trabalho, celebrado entre o Ministério Público do Trabalho e as empresas Raízen Combustíveis S/A (Shell) e Basf S/A. A conciliação encerrou a ação civil pública movida pela procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck, do MPT em Campinas, no ano de 2007, depois de anos de investigações que apontaram a negligência das empresas na proteção de centenas de trabalhadores em uma fábrica de agrotóxicos no município de Paulínia (SP).

A Shell iniciou suas operações no bairro Recanto dos Pássaros na metade da década de 70. Em 2000, a fábrica foi vendida para a Basf, que a manteve ativada até o ano de 2002, quando houve interdição pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O processo, que possui centenas de milhares de páginas derivadas de documentos e laudos, prova que a exposição dos ex-empregados a contaminantes tem relação direta com doenças contraídas por eles anos após a prestação de serviços na planta. Desde o ajuizamento da ação, foram registrados mais de 60 óbitos de pessoas que trabalharam na fábrica.

Mais de mil pessoas se beneficiaram do acordo, já que ele abrange, além de ex-trabalhadores contratados diretamente pelas empresas, terceirizados e autônomos que prestaram serviços às multinacionais, e os filhos de todos eles, que nasceram durante ou após a execução do trabalho na planta.

Além da indenização por danos morais coletivos no importe de R$ 200 milhões, ficou garantido o pagamento de indenização por danos morais individuais, na porcentagem de 70% sobre o valor determinado pela sentença de primeiro grau do processo, o que totaliza R$ 83,5 milhões. O mesmo percentual de 70% foi utilizado para o cálculo do valor de indenização por dano material individual, totalizando R$ 87,3 milhões.

O acordo também garantiu o atendimento médico vitalício a 1058 vítimas habilitadas no acordo, além de pessoas que venham a comprovar a necessidade desse atendimento no futuro, dentro de termos acordados entre as partes.

Também participaram do evento de inauguração do Centro de Pesquisa Boldrini a procuradora-chefe do MPT Campinas, Maria Stela Guimarães De Martin, o presidente do TRT-15, Fernando da Silva Borges, o secretário de Saúde do Município de Campinas, Carmino Antonio de Souza, a subprocuradora-geral do Trabalho Ivana Auxiliadora Mendonça Santos, os procuradores responsáveis pela destinação das verbas do caso Shell/Basf, Paulo Crestana e Ronaldo Lira, e os procuradores Eduardo Luís Amgarten e Ana Lúcia Ribas Saccanni Casarotto.

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